Estando em uma grande maratona com a aproximação das provas finais e dos vestibulares, é compreensível que eu não tenha muito tempo para outras coisas além do estudo. O pouco tempo livre basicamente tem sido gasto em ler e ir para a academia. É um milagre estar aqui escrevendo neste momento. De qualquer maneira, esta foi uma das semanas mais difíceis da nossa cidade, e não teve como reparar que mesmo vivendo nela, tudo parecia apenas um filme. Sem ver ou viver nada de concreto, instaurou-se na minha casa um clima de tensão e medo. Ficamos praticamente trancafiados por entre a zona oeste durante os dias recorrentes. É complicado saber até que ponto as coisas realmente contribuíram para chegar a esse ponto. Se tudo não passa de um grande show manipulativo da grande mídia, não faço idéia. Não perderei meu tempo com teorias conspiratórias. O fato é: Viver nesse clima, não dá.
Uma vontade louca de ir embora desta cidade associada a leitura de “On the Road” pode ser fatalmente catastrófica. Já até criei um plano mirabolante, por ele inclusive que tenho estudado tanto. Formar-me, passar no vestibular e depois? Férias. E depois de tantos anos de sufoco com a bunda sentada na carteira, é natural querer fazer destas as melhores férias da minha vida. Acampar, pedir carona pela estrada e visitar parentes distantes faz parte do plano. Mas tudo é claro, se eu passar no vestibular. Uns meses cheios de poeira e sem a violência carioca, tem algo melhor? Sinto até o cheiro da pele queimada pelo sol. Cheiro, que nestes meus sonhos andantes, é absolutamente maravilhoso.
domingo, 28 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Ensaio.
E este vestibular que não termina? Que sufoco. Sinto-me nauseado, com uma forte tendência suicida. Quero poder acordar sem culpa por não ter estudado o suficiente, sem ter que fazer provas todo santo dia, não tendo que enlouquecer só de pensar nos resultados. Quero dedicar minha vida ao que eu gosto, as histórias, as letras, ao filmes. Nada de física ou química. Biologia? Ergh, nem pensar. Sou de humanas e considero o nosso sistema educacional extremamente insensível. Saber como funcionam os movimentos, os circuitos, as ondas e a variação de temperatura? Beleza. Agora ter que calcular a energia de um campo elétrico é sacanagem. Por que diabos um cineasta teria que saber isso? Deixo de aprender um bando de coisas mais úteis e prazerosas para dar um lugar a uma série de conhecimentos inúteis que eu só decoro para as provas. Mas sabe o que é o pior de tudo? Saber que como diria o ENEM em seu slogan, isso é apenas um ensaio para a vida.
Ainda vou ter que engolir muitos sapos e fazer muitas coisas das quais eu não gostaria. Tudo para alcançar objetivos quase impossíveis que levam a outros objetivos mais impossíveis ainda, de uma forma quase doentia. Olhar para a vida e ver que não passa de uma escalada para uma escuridão, sem sentido e sem destino, é algo assustador. Contudo, excita. O perigo nos da gás, movimenta-nos. A existência humana é tão masoquista quanto poderia ser. Eventualmente sádica. Afinal, temos que ser muito doentes para colocar mais pessoas no mundo, a fim de que passem por tudo isso. Resultado de um egoísmo bizarro da espécie em querer dar continuidade e do individuo carente buscando nos filhos uma reposta para a sua vida.
Assim concluo: Sou um ser masoquista. Porque meus queridos, mesmo que tenha vivido tão poucos e nem sequer tenha de fato conhecido a vida, faria tudo de novo. Essa viagem é louca e fascinante. E não abro mão.
Ainda vou ter que engolir muitos sapos e fazer muitas coisas das quais eu não gostaria. Tudo para alcançar objetivos quase impossíveis que levam a outros objetivos mais impossíveis ainda, de uma forma quase doentia. Olhar para a vida e ver que não passa de uma escalada para uma escuridão, sem sentido e sem destino, é algo assustador. Contudo, excita. O perigo nos da gás, movimenta-nos. A existência humana é tão masoquista quanto poderia ser. Eventualmente sádica. Afinal, temos que ser muito doentes para colocar mais pessoas no mundo, a fim de que passem por tudo isso. Resultado de um egoísmo bizarro da espécie em querer dar continuidade e do individuo carente buscando nos filhos uma reposta para a sua vida.
Assim concluo: Sou um ser masoquista. Porque meus queridos, mesmo que tenha vivido tão poucos e nem sequer tenha de fato conhecido a vida, faria tudo de novo. Essa viagem é louca e fascinante. E não abro mão.
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