O gosto salgado sentido pela língua ao tocar a leve textura das costas da pessoa amada. Símbolo preciso do verão. A época frívola onde o errado torna-se certo e o certo inadmissível. A estação do pecado queima nossos corpos sem rodeios, dia após dia. Calor gostoso e melado que é banido pelo eco úmido do ar-condicionado. Mal da nova era, essa máquina que inibe a temperatura natural e as sensações dela advindas. Clima artificial. Artificial como o show de luzes amarelas que conduzo com sombras e mãos por entre os feixes oriundos da lâmpada redonda. Festival da loucura, o verão é o abre-alas do carnaval, é a preliminar elaborada da foda bem feita pelo amante maduro. A mente se rende, tem que ficar quieta e deixar o corpo respirar. Que aguarde o inverno gelado e racional para a tediosa manifestação.
Os amores cada vez mais apaixonados, a saliva cada vez mais escassa necessita da saliva alheia. Ou quem sabe baste um banho de água gelada para evitar a insolação da alma. Não basta. Banho é o caralho, eu quero suor. Nelsinho conseguia ser ousado sem usar palavrões? Desculpe, não sou Nelson, sou eu. Eu que nem é Nelson, nem Francisco, nem Antônio. Por isso eu. Eu suado, eu molhado, em pleno verão. Cheio de sonhos e fantasias, que não passam disso. O castelo de areia se desfaz, a poesia morreu. Deixando a hipocrisia de lado, vamos ligar o ventilador. Caso venha um pouco de sujeira, quem liga? É disso que a gente gosta.
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