A Condeno tudo que a minha mãe faz praticamente o tempo inteiro. Sou bruto, rude e absurdamente exagerado. Incapaz de pedir desculpas. Sim, ela pode ser horrível em certos momentos. Contudo, sou pior. Sei que estou errado, mesmo quando as minhas palavras estão no auge de sua crueldade. Tenho meus motivos para ser assim, ela também.
Após discussões dolorosas e intermináveis, ela foi capaz de ficar catorze dias ao meu lado ininterruptamente em um quarto de hospital. As vezes sinto raiva, muita raiva. O amor eu sinto sempre, misturado a uma turbulenta variedade de outros sentimentos. Quando estou com ela, reclamo, alfineto e abraço. Foi dela que eu sai e são nos seus braços que posso ficar por horas. Ela é a minha mãe, a única que eu tenho e a única que eu quero ter.
Fomos separados precocemente em vida, ela lá, eu cá. Acho que foi melhor assim, ou não, só Deus sabe. Compreendo tudo que ela fez comigo. Agradeço por tudo. Os momentos ruins a memória esconde, não apaga nunca. Não tenho rancor, nem remorso. Só culpa. O que ela fez de errado perde a importância em um curto espaço de tempo. Os meus erros me perseguem a cada segundo.
Não vejo a hora de ter minha própria vida, mas espero que ela saiba que eu nunca vou abandoná-la. Nem agora ela assim está. Não estou perto em corpo, mas penso nela o dia todo, o tempo inteiro. Ao contrário do que dizem, o amor não tem nada haver com convivência, o amor existe por si só. Eu a amo, e vou amar sempre. Aqui, em Paris ou na China. Em qualquer lugar. Sempre eu e ela, mãe e filho, em alma.
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