Meia noite. Enquanto comia a minha fatia de chester, observava todos ao redor com a maior sutileza possível. Enquanto crianças gritavam, casais discutiam e anciãs caducavam, eu chegava a uma espécie de epifania natalina.
O Natal se tornou uma data extremamente comercial desde o início da era Coca-Cola, onde o aniversariante era esquecido praticamente o tempo inteiro. Contudo, a tradição familiar honrava a data. As famílias esperavam até o dia vinte e cinco para cear, trocar presentes e afagar os seus amados. Celebrando entre si, mesmo sem saber exatamente o porque, as pessoas traduziam a data em sua forma mais pura através do amor.
Atualmente, o natal resume-se a corridas frenéticas por entre o shopping lotado, ceia farta e bebida em dose excessiva. Os presentes que valem não são os de coração, e sim os de mais alto valor monetário. As relações pessoais são cheias de interesse, os sentimentos sinceros entram em extinção.
Pobre futuro, vemos tanta maldade nos olhos das crianças que crescem. Só os bebês tranquilos ignoram tudo enquanto adormecem. Acho que surgiu uma rima em prosa.
A sociedade, podre por excelência, transformou o natal em uma grande merda. Merda melancólica e sem sentido. Um festival de aparências que dura o tempo necessário para a fuga da obscura realidade cotidiana. Olho para o céu e vejo cair uma chuva invisível. Devem ser as lágrimas de alguém que não ganhou os presentes que queria, mas ainda assim ama aqueles que insistem em fazer tudo errado. A chuva é triste, mas cheia de esperança. Calados, abusamos mais uma vez de seu perdão.
Extremamente expressivo e fiel ao natal do século xxi, parabéns, adorei :)
ResponderExcluirLindo e cruel.
Que lindo! Poxa vi o meu natal nesse texto..
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